Paulo Leminski

“Podem ficar com a realidade
esse baixo astral
em que tudo entra pelo cano

Eu quero viver de verdade
eu fico com o cinema americano”

(Paulo Leminski)

Interstellar

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“A ciência manipula as coisas e renuncia a habitá-las” (Maurice Merleau-Ponty). Manipula, pois deseja controlar a vida. E renuncia, não apenas a habitação de seus objetos, mas o principal — e único — objeto motor da vida: o amor. Afinal, o amor, por excelência, escapa de qualquer tentativa de manipulação.

A arte habita um mundo possível onde o amor — a liberdade suprema — é o seu fundamento. Em meio as inúmeras teorias e abordagens científicas a respeito da relação entre espaço e tempo, a força do filme Interstellar reside justamente em sua força poética (para os mais ousados, em sua declaração de amor). A expressão artística aproxima-se da estética enquanto a ciência distancia-se em direção aos seus próprios métodos. O deslocamento espaço-temporal, previsto por suposições e equações, efetiva-se no fortalecimento de relações amorosas: não o amor erótico, como o senso comum costuma vê-lo, mas o amor como afeto e compaixão: a mais elevada demonstração de amor…

Entretanto, algo inquieta os amantes: o tempo; ou seja, a finitude; em outras palavras, o fim do amor pela morte ou pela despedida. Como seria bom se o tempo das alegrias fosse infinito, não cessasse! Segundo Cooper, nós criamos o nosso tempo. E por que o tempo, a nossa criação, se vai? As pessoas vão assim como vêm; o tempo é contado. Mas as relações que originam vida ultrapassam a finitude e guardam a possibilidade do reencontro. Apenas estas nos distanciam do desespero (o desejo pela manipulação) e nos aproximam da eternidade (o desejo pela contemplação). A busca pela filha amada, com toda a sua força, fez de Cooper o agente de seu próprio destino. Pelo amor à filha, ultrapassou os limites conhecidos e descobriu que o seu sentimento, ao ser vivido, criou uma nova realidade para as pessoas que amava. Ora, não seria esta a tarefa de todo ser humano, no tempo e no espaço que lhe foi dado neste mundo?

A racionalidade da poesia escapa à científica. Há mais sentido e significado no toque temporal de Interstellar do que nas tentativas de explicação da nossa condição temporal que isolam em descrições experimentais e céticas. A metáfora da viagem no tempo (ou, a transcendência da finitude) é o elogio autêntico da linguagem cinematográfica para os encontros de relacionamentos verdadeiros e a sua eternidade.

O meu caminho

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Jean Lauand & Rui Josgrilberg. Nikon 24mm 2014

Quando Jesus, nos Evangelhos, diz, “Eu sou o caminho”, ele não está se referindo a um caminho delimitado, como a bitola de uma ferrovia. Na tradição hebraica e árabe, caminho é o percurso irregular feito no deserto, onde cada um faz o seu próprio trajeto. É o modo de cada um fazer as coisas, exatamente no sentido da canção My Way, famosa na voz de Frank Sinatra. Ela diz: “I did it my way“, eu fiz o meu caminho, do meu jeito. Sem essa visão, os moralistas prescrevem mil coisas e a prudência, que é a mãe de todas as virtudes, desaparece. Passamos a viver um pseudo-cristianismo, em que o fiel delega a orientação de sua vida para o padre, o pastor ou qualquer outra autoridade religiosa. Isso é perigosíssimo. Este é o sentido último dos meus estudos sobre a prudência: devolver ao indivíduo as rédeas da sua própria vida.

Jean Lauand, In: O Intérprete do Logos, p. 22.

Whiting 1 – mDUST – VonLichten

Aforismo #1

Deus é o silêncio da experiência.

Work of Art – Can’t Let Go

Quico? Tesouro? Carinho? Rei? Coração?

Canon EOS 5D Mark II 70mm f8.0 1/160 ISO 200 © Patrícia Patah

História de Amor

O coração livre não tem nenhuma história, pois quando se entregou ao outro ele ganhou sua história de amor, feliz ou infeliz. Mas o coração infinitamente comprometido com Deus tem história já antes, e por isso compreende que o amor e a amizade são somente um interlúdio, uma contribuição anexa a esta única história de amor, primeira e última.

Soren Kierkegaard, Obras do Amor, p.178

Jean Luc Marion

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Nikon + 35mm f/3.5 ISO 1600 @ Faculdade de São Bento de São Paulo

Pensando Biblicamente – O Papel do Tradutor

Neste video o professor Edson De Faria Francisco e o pastor luterano Carlos Musskopf conversam sobre o papel do exegeta e analisam algumas palavras da Bíblia como gênesis, Deus, homossexualismo, mulheres, alma, espírito, corpo & carne, messias, ungido.